Alerta no Hexa
Como a vitória da Seleção Brasileira mascara a falta de repertório tático e a dependência de Vini Jr
A euforia com a goleada sobre o Haiti é preocupante. O Brasil fez sua parte, mas o rival que se bateu até com a regra dos 5 segundos no tiro de meta, entregando um tiro de canto de graça para nós — não serve de parâmetro para quem sonha com o Hexa. Passar de fase nesse grupo frágil, tirando o Marrocos, é obrigação. O problema é quando o nível subir.
Contra os grandes, o roteiro deve ser aquele pragmatismo puro: duas linhas de quatro, retranca e bola no Vinicius Junior para resolver na correria, com Matheus Cunha tentando achar espaço entre as linhas. É basicamente isso. Até porquê não tem muito tempo pra treinar e Carlo Ancelotti já tem seu desenho e não vai inventar moda.
Danilo segue preso na direita dando sustentação para a defesa e os garotos, Endrick e Rayan, entram para dar vigor e movimentação ao ataque de forma esporádica, mas não assumem a titularidade agora porque o italiano não cede ao barulho da torcida. No fim, seguimos na torcida por um time sem grandes variações, cheio de "bons jogadores", mas que pode sofrer de verdade assim que o plano A for bloqueado.
O que realmente preocupa é que estamos deixando a desejar no que deveria ser o básico de um time competitivo. Falta ser uma equipe compacta e consistente na marcação, o Brasil ainda segue frágil do meio pra trás. convidando o adversário para o jogo. Para piorar, a transição é lenta e o toque de bola parece burocrático, sem aquela aproximação rápida ou o passe vertical que quebra linhas e pega a defesa rival desarrumada.
O ajuste vai acontecendo a cada jogo, mas a impressão que fica é que só vamos saber de fato o nível que estamos quando enfrentarmos as grandes seleções da Copa. Se não ajustarmos a engrenagem coletiva para ontem, o sonho do Hexa vai continuar batendo no teto do nosso próprio pragmatismo.
Não tivemos uma boa experiência contra o Marrocos, no que tudo indica, será mais difícil à medida que a competição for afunilando. Dito isso, oremos!

